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Nossas Pesquisas

O uso de células-tronco do cordão umbilical no tratamento de doenças

Foto ilustrativa de nossas pesquisas com célula-tronco.

A terapia celular vem sendo testada para o tratamento de doenças, como diabetes, enfisema pulmonar ou doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), epilepsia, Parkinson, entre outras. Muitas delas são realizadas através do transplante de células-tronco do cordão umbilical.

As células-tronco têm incrível potencial para promover a cura de uma série de doenças, por isso, a coleta e o armazenamento do sangue e do tecido do cordão umbilical é o primeiro passo para que a pessoa possa se beneficiar no futuro dessas possibilidades terapêuticas.

Por estar inserida em um grupo empresarial (Grupo São Lucas) que possui cinco empresas que têm como foco o paciente, a CordCell desenvolve pesquisas com célula-tronco em várias áreas, através do IEP - Instituto de Ensino e Pesquisa. O Instituto desenvolve várias pesquisas clínicas, mas nesse espaço daremos destaque às pesquisas científicas. Conheça algumas delas:

  Epilepsia

Em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) da Bahia, o Grupo São Lucas participou, em 2006, de um protocolo de pesquisa com células-tronco do sangue do cordão umbilical para tratamento da epilepsia. O cérebro funciona por transmissão de impulsos elétricos organizados, de modo que temos o comando das nossas atividades. Já o epilético tem um grupo de células no cérebro que despolariza, levando a pessoa a contrações e convulsões, e comprometendo a sua qualidade de vida. Atualmente, a medicina oferece medicamentos capazes de controlar as crises, já que ainda não há cura para o mal. Mas as células-tronco do sangue de cordão umbilical, no estudo pré-clínico realizado, surgem como uma possibilidade real.

Ratos em laboratório tiveram um foco cerebral de epilepsia induzido, através da injeção de uma substância chamada lítio-pilocarpina. Três grupos de cobaias foram organizados, e filmados 24 horas por dia. Um era o grupo controle, que não tinha nenhuma lesão. Os outros dois receberam a lítio-pilocarpina e desenvolveram epilepsia, mas apenas um deles foi infundido com células-tronco do sangue de cordão umbilical.

Nos primeiros 15 dias, o grupo que recebeu células-tronco teve uma redução no número de convulsões da ordem de 20% a 30%. Com 120 dias, as crises diminuíram 60% e, com 300 dias, zeraram. Após o sacrifício dos animais, os pesquisadores analisaram o tecido cerebral para verificar o estado das células neuronais. O grupo epilético que não recebeu células-tronco apresentou uma rarefação das células neuronais, ou seja, boa parte delas estava morta. Já no grupo infundido, as células neuronais estavam praticamente no mesmo estado das que foram verificadas nos animais do grupo controle.

A pesquisa pré-clínica comprovou, portanto, que há uma correlação entre a regeneração celular neuronal e a infusão das células-tronco do cordão umbilical. E a presença dessas células regeneradas diminuiu e depois zerou as convulsões. Agora, o estudo foi submetido ao Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para que a pesquisa clínica, em seres humanos, possa ter início. A maior dificuldade do seu desenvolvimento é a obtenção das células-tronco do sangue de cordão umbilical, já que a compatibilidade é difícil em um país tão miscigenado quanto o nosso. O ideal seria que o próprio doente tivesse o seu material genético armazenado, o que infelizmente nem sempre acontece.

  Hipóxia neonatal

Outro protocolo de pesquisa com infusão de células-tronco do sangue de cordão umbilical que está encontrando dificuldades de progredir é o que se propõe a tratar a hipóxia neonatal, dano cerebral decorrente da falta de oxigenação ao nascimento. Essa pesquisa é uma parceria do Grupo São Lucas, que inclui a CordCell, com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A medicina, atualmente, só consegue oferecer a esses pacientes acompanhamento, já que ainda não se descobriu uma maneira de regenerar o cérebro. E, novamente, as células-tronco têm se mostrado uma opção.

No estudo pré-clínico, animais com hipóxia neonatal tratados com células-tronco do sangue de cordão umbilical voltaram a ter atividades e a andar. Outros centros internacionais, como a Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, também iniciaram protocolos semelhantes. O que dificulta o progresso dessa pesquisa é que ninguém sabe se a criança sofrerá ou não hipóxia e, para ingressar no estudo, os pais precisam ter feito antes do nascimento a opção pela coleta e armazenamento das células-tronco do cordão umbilical e, depois, autorizar a pesquisa.

Na parceria com a UFRJ, o Grupo São Lucas já tratou dois bebês. O primeiro tinha uma lesão cerebral extensa, recebia alimentação enteral e respirava com a ajuda de aparelhos. Após a infusão das células-tronco, a criança foi para casa deglutindo e respirando normalmente, apesar de continuar recebendo cuidados por serviço de home care. Infelizmente veio a falecer meses depois, em decorrência de uma pneumonia aspirativa.

O segundo bebê teve um pré-natal normal até os médicos detectarem uma cardiopatia. Alterações nos batimentos cardíacos levaram à antecipação do parto, mas, infelizmente, a falha nos batimentos levou a criança a uma hipóxia. Quando a família autorizou o seu ingresso no protocolo de pesquisa, o prontuário médico falava em “morte aparente”. Após a infusão das células-tronco, a criança teve uma evolução inesperada, a ponto de o neonatologista questionar se ela realmente havia sido vítima de hipóxia.

Nos primeiros três meses sua evolução foi idêntica a de uma criança normal. Após esse período, porém, ela começou a apresentar retardos no seu desenvolvimento e, aos sete meses, apresentou sinais de paralisia. Quando completou um ano, o Grupo São Lucas chegou a oferecer aos pais a possibilidade de uma nova infusão de células-tronco, mas eles não aceitaram. E está aí justamente a principal interrogação: será que uma infusão é suficiente para casos de hipóxia neonatal, ou outras infusões são necessárias? Qual o intervalo ideal entre uma e outra? São essas algumas perguntas que uma pesquisa científica busca responder. O estudo está encontrando dificuldades em progredir justamente pela dificuldade em encontrar crianças com hipóxia neonatal cujos pais tenham feito a opção pelo armazenamento das células-tronco do sangue de cordão umbilical.

  DPOC

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), ou enfisema pulmonar, é outra doença que vem sendo estudada pelo Grupo São Lucas, que inclui a CordCell, em parceria com a Universidade Estadual Paulista (Unesp). Atualmente, há um protocolo de pesquisa já em fase II. Na primeira fase, quatro pacientes em estado de completa dependência de oxigênio, ou seja, no último grau da doença, receberam infusão de células-tronco provenientes da medula óssea. E os resultados foram animadores. Dois deles, que eram totalmente dependentes de oxigênio, registraram melhora no processo inflamatório, cessão das secreções e diminuição das taxas de oxigênio.

Na fase II, a pesquisa se propõe a estudar três grupos distintos de pacientes com DPOC avançada. O primeiro receberá infusão de célula-tronco da medula óssea, chamada hematopoiética. O segundo, células-tronco mesenquimais, obtidas de tecido adiposo e, o terceiro, uma associação das duas terapias. O estudo é importante porque foi identificado que cada tipo de célula tem um papel importante na regeneração do tecido pulmonar.

As células que são obtidas da medula óssea (hematopoiéticas) são capazes de produzir novos vasos sanguíneos e, as mesenquimais, diminuem a inflamação do tecido pulmonar e conseguem se transdiferenciar, ou seja, fazer com que células alveolares remanescentes se multipliquem, diminuindo os efeitos da doença. O Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) já autorizou o início da fase II da pesquisa científica, mas ela ainda aguarda definição quanto à fonte de financiamento do estudo, que é caro.

  Osteoartrose de joelho

Outro estudo desenvolvido pelo Grupo São Lucas através de uso compassivo é a infusão de células-tronco mesenquimais provenientes de tecido adiposo em paciente com osteoartrose grave de joelho. A solução para o caso, com o tempo, é uma cirurgia para colocação de prótese total de joelho.

E este é justamente o caso da paciente submetida pelo Grupo São Lucas à pesquisa por uso compassivo. Já está comprovado que as células-tronco mesenquimais transformam-se em cartilagem. Duas semanas após a infusão das células, a paciente, que estava em cadeira de rodas, voltou a andar. Houve, portanto, melhora no quadro de mobilidade e de dor. Antes da infusão foi realizado um exame de imagem de alta definição. Quatro meses após a infusão um novo exame será realizado para saber se houve regeneração da cartilagem.

  Cardiologia

O Grupo São Lucas ainda participa do primeiro estudo nacional multicêntrico em terapia celular aprovado pelo Ministério da Saúde, na área da cardiologia. As quatro doenças cardíacas mais comuns começaram a ser estudadas em quatro grupos: a isquemia aguda do miocárdio, mais conhecida como infarto agudo do miocárdio; miocardiopatia dilatada, que está associada à hipertensão; miocardiopatia chagásica (quando a pessoa é picada pelo barbeiro, a doença se instala no coração e enfraquece o músculo); e a isquemia crônica.

O Comitê Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) autorizou o ingresso de 1.200 pacientes (300 em cada grupo das doenças em estudo). Para cada um desses grupos, foram selecionados centros de pesquisa que tivessem condições de atender o paciente em algumas necessidades, como fazer um cateterismo, e que também tivessem laboratório que pudesse fazer o processamento das células-tronco para infusão. Foram extraídas células da medula óssea dos pacientes. O Grupo São Lucas Lucas, juntamente com a equipe de cardiologia do Hospital Bandeirantes, foi um dos 28 centros selecionados para realizar o estudo randomizado duplo cego para o tratamento de infarto agudo do miocárdio (IAM). O estudo já fez cinco anos e ainda não completou a inclusão de pacientes previstos (150 casos e 150 controles).